
O mês de março é lembrado como momento para celebrar as mulheres, mas deixa-se de lado o caráter que deu origem a data: a luta. Quando se trata de mulheres indígenas, elas são ainda mais esquecidas, mesmo que passem diariamente por uma série de violências. Um levantamento produzido pela Gênero e Número mostra que, de 2014 a 2023, o número de casos de violência contra mulheres indígenas subiu 258%. Os dados se referem às agressões psicológicas, físicas e sexuais.
O documento também mostra que a violência sexual foi a que teve maior aumento no número de casos, com crescimento de 297%. Mais da metade desses casos, 79%, foram registrados contra meninas menores de 18 anos. Em crianças menores de 14 anos, o número chega a 50% do total – vale lembrar que qualquer contato sexual nesta idade é considerado estupro de vulnerével.
Em muitos casos, o agressor é conhecido
Assim como ocorre com as mulheres não-indígenas, em grande dos casos o agressor está dentro de casa. De acordo com o levantamento, 1 a cada 3 casos de agressão são cometidos pelo cônjuge ou familiar da vítima.
ATL será espaço para discussões do tema
A violência contra mulheres indígenas será um dos temas do Acampamento Terra Livre , encontro anual realizado em Brasília e organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).
A 22ª edição da mobilização vai acontecer entre 5 e 11 de abril, com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”.

