Estudantes indígenas promovem primeiro encontro na Uerj

Texto: UERJ (Assessoria de Imprensa)

    Imagem:  Grupo de universitários indígenas da UERJ (Fonte: Grupo Nepiie – Arquivo Pessoal)

    No dia 30 de março ocorre o 1º Encontro de universitários/as indígenas da Uerj no campus Maracanã, organizado pelo coletivo Yandé Iwí Mimbira “Nós filhos da Terra”, em língua Nheengatu. Haverá debates sobre temas como ações afirmativas, a necessidade de melhor acolhimento e visibilidade desses estudantes na universidade. O grupo, composto por universitários indígenas da UERJ, surgiu a partir de uma pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Estudos sobre Povos Indígenas, Interculturalidade e Educação (NEPIIE-Uerj) da Faculdade de Educação da Baixada Fluminense (FEBF), em Duque de Caxias. O NEPIIE conta com apoio do PROINDIO (UERJ), no campus Maracanã.

    Uma das coordenadoras, a professora Kelly Russo, destaca que “As políticas de ações afirmativas no Brasil sofrem profundas contradições em suas tentativas de valorização da diversidade, visto a grande heterogeneidade e as desigualdades que existem entre os próprios segmentos sociais e étnicos que essas políticas pretendem atender”.

    Desde 2002 a UERJ desenvolve políticas de ações afirmativas, estabelecendo cotas para candidatos/as autodeclarados/as negros/as, pardos/as ou indígenas. A professora destaca a importância da participação de todos os diferentes segmentos no debate para o aperfeiçoamento dessas políticas. “ Na política de cotas na UERJ, por exemplo, se considerarmos apenas o segmento indígena já seria preciso reconhecer como a diversidade é enorme, e nenhuma política pública, mesmo sendo específica para os indígenas, irá atender às distintas realidades, demandas e perspectivas históricas dos 375 povos indígenas existentes no país, sem a participação efetiva dos próprios indígenas para melhorarem e fiscalizarem a eficiência dessas políticas, pois, cada povo indígena tem uma história particular de contato, nível de interação com a sociedade nacional e projetos societários próprios.”, explica.

    Discutir o acesso de indígenas ao Ensino Superior no estado do Rio de Janeiro exige, portanto, uma maior compreensão sobre a diversidade étnica, linguística e de histórias de vida da população indígena existente em nosso estado. Foi pensando nesse desafio que o NEPIIE foi criado e nos últimos anos desenvolve uma pesquisa que tem como objetivo não apenas conhecer quem são e onde estão os estudantes indígenas da UERJ, como também estimular a formação de redes entre eles.

      Imagem:  Grupo de universitários indígenas da UERJ (Fonte: Grupo Nepiie – Arquivo Pessoal)

      Com base em uma pesquisa que ocorre desde 2017, o NEPIIE possibilitou a reunião desses 15 universitários indígenas que organizam os encontros do grupo. Matriculados nos campi Maracanã, Duque de Caxias e São Gonçalo da Uerj, são alunos dos cursos de História, Educação, Pedagogia, Psicologia, Direito, Medicina, Nutrição, Odontologia e Letras. Flavia Alves, estudante indígena matriculada no curso de Direito da UERJ, ressalta a importância da reserva de cotas para estudantes indígenas, mas aponta algumas ressalvas, sobretudo nas formas de ingresso. “Nós, indígenas que vivemos no contexto urbano ou nas aldeias, temos que enfrentar muitos desafios para entrar na universidade e depois, ainda  mais difícil é permanecer nela”, reclama a estudante que ressalta a importância desse encontro, visto que “é preciso criar na universidade mais espaços de encontro, de reflexão e de trocas entre nós, estudantes indígenas, para que a gente tenha mais visibilidade e apoio”.

      A professora Kelly Russo acrescenta que a pesquisa também tem esse papel de “estimular a formação e a participação ativa dos estudantes indígenas da Uerj – cotistas e não cotistas – no debate sobre a política de ação afirmativa. Fortalecer sua participação e preparar um vestibular diferenciado para indígenas – como já existe em várias outras universidades públicas brasileiras – e que esses estudantes também estejam atentos e fortalecidos na luta cotidiana por práticas antirracistas na UERJ”, afirma Kelly Russo.

        Imagem: reprodução redes sociais

        Serviço:
        1º Encontro de universitários indígenas da Uerj
        Horário: 18h
        Local: Pavilhão João Lyra Filho, sala RAV122, Bloco F (12º andar), campus Maracanã
        R. São Francisco Xavier, 524, Maracanã, Rio de Janeiro
        Apoio: NEPIIE e PROINDIO

        Fonte para entrevistas:
        Coletivo Yandé Iwí Mimbira no Instagram:
        https://www.instagram.com/p/CqDreKeuF8J/?igshid=MDJmNzVkMjY%3D

         

         

         

         

         

         

         

         

         

         

         

         

         

         

         

         

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        Rodrigo Martins

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