Aldeia Maraka’nã é enredo da Unidos de Bangu; escola desfilará como hors-concours
O Carnaval de 2025 terá a Aldeia Maraka’nã como um de seus temas. A Unidos de Bangu, com o enredo “Maraka’anandê – Resistência Ancestral”, falará sobre a resistência dos moradores do local às diversas tentativas de apagamento que sofreram e sofrem até os dias atuais. Também será lembrado a ocupação ancestral do espaço pela aldeia Jabebiracica, considerada a mais importante aldeia Tupinambá da Guanabara.
Não é a primeira vez que a Aldeia é enredo de uma escola de samba. Em 2023, ela foi tema da escola de samba Acadêmicos da Pedra Branca, que ficou em 4º lugar da série B da Liga Independente Verdadeira Raízes das Escolas de Samba (LIVRES) do Carnaval carioca.

O desfile contará com a presença dos atuais habitantes da Aldeia e de seu líder, o Cacique José Urutau Guajajara. Eles estiveram presentes também no ensaio técnico da escola na Marquês de Sapucaí no dia 2 de fevereiro. Para Urutau, o desfile é um recado à Justiça brasileira sobre a importância da existência da Aldeia para que a opressão vivida pelos indígenas não seja esquecida e o espaço educacional seja reconhecido.

O enredo é uma criação dos carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel, e o samba foi encomendado aos compositores Junior Fionda, Romeu D’Malandro, Jonas Marques, Junior Falcão, Fábio Bueno, Juca, JV Albuquerque, Gulle, Edu Casa Leme, Jorginho Via 13 e Marcelinho Santos.
A Unidos de Bangu foi uma das afetadas pelo incêndio na fábrica de fantasias Maximus, que deixou 1 pessoa morta e mais 20 feridos. Segundo a Liga RJ, responsável pela Série Ouro do Carnaval, a agremiação perdeu cerca de 60% de suas fantasias já prontas. Após reunião com todas as escolas do grupo, ficou definido que a escola, assim como a Unidos da Ponte e o Império Serrano, as mais afetadas pela tragédia, desfilarão como hors-concours, ou seja, não serão julgadas e não têm a possibilidade de serem rebaixadas nem de subirem para o Grupo Especial.
Além da Bangu, Inocentes de Belford Roxo, Estácio de Sá, Arranco do Engenho de Dentro e Unidos da Ponte também trarão citações aos povos indígenas em seus enredos.
Grupo Especial
O Grupo Especial também terá um enredo indígena. A Unidos do Viradouro levará a entidade afro-indígena Malunguinho para a Avenida. Ele é inspirado na figura do líder do quilombo de Catucá, João Batista. Ele era um dos poucos que tinha coragem de enfrentar os senhores de terra e se arriscar para livrar escravizados de cativeiros e senzalas.

Batista, que vivia na região do atual município de Abreu e Lima – PE, era conhecido como bandido e procurado por defender a liberdade de expressão e ser contra os mandos dos homens brancos. Em uma das emboscadas para capturá-lo, foi ferido e socorrido por indígenas, que o curaram com as ervas da mata. Malunguinho resolveu passar um tempo na aldeia e aprendeu a sabedoria da cura indígena, que aliada à sua ancestralidade negra despertava a Jurema.
O enredo foi criação do carnavalesco Tarcísio Zanon, e o samba é uma composição de Paulo César Feital, Inácio Rios, Marcio André Filho, Vaguinho, Chanel, Igor Federal e Vitor Lajas.
Além da Viradouro, a escola de samba Embaixadores de Alegria, voltada para pessoas com deficiência, abrirá o Desfile das Campeãs com o enredo “O Casamento Entre o Céu e a Terra”. O tema é “Uma homenagem da primeira e única escola de samba do mundo voltada às pessoas com deficiência aos povos originários e à biodiversidade”. A agremiação desfila há 17 anos abrindo o dia das campeãs.
O samba da escola é uma composição de Xande de Pilares, Gilson Bernini e Clovis Pê.

Transmissão dos desfiles
As escolas da Série Ouro desfilam nos dias 28 de fevereiro e 1 de março, com transmissão ao vivo pela Band. O Grupo Especial desfila nos dias 2, 3 e 4 de março, com transmissão ao vivo pela Rede Globo.