Texto: UFAM (site oficial)
Em breve, a Universidade divulgará a data da cerimônia de outorga das distinções acadêmicas
Membros do Conselho Universitário da Universidade Federal do Amazonas (Consuni/Ufam) aprovaram, na tarde desta quarta-feira, 10 de junho, a concessão do título de Doutor Honoris causa ao indigenista Egydio Schwade e de Professor Honoris Causa ao historiador José Ribamar Bessa Freire, em reconhecimento ao papel decisivo de ambos no indigenismo, na defesa dos direitos humanos, na educação e na história na Amazônia.
Os títulos são concedidos a personalidades que tenham se distinguido pelo saber, pela atuação em prol das Artes, das Ciências, da Filosofia e das Letras ou do melhor entendimento entre os povos.
Parceria com Adua
Iniciativa do Professor César Augusto Bubolz Queirós, do Departamento de História da Universidade Federal do Amazonas (DH/Ufam), a submissão da proposta de concessão do título de Professor Honoris Causa ao jornalista, linguista e historiador José Ribamar Bessa Freire teve como relatora a professora Dorinethe Bentes (FD/Ufam). A proposição de concessão do título de Doutor Honoris Causa ao indigenista Egydio Schwade partiu dos professores César Queirós (Ufam) e Tiago Santos (CEST/UEA) e contou com a parceria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA) e relatoria da professora Iolete Ribeiro (FAPSI/Ufam).
Nas palavras da professora Ana Lúcia Gomes, “a ADUA, seção sindical, sente-se honrada por ter solicitado à Reitoria da Universidade Federal do Amazonas a concessão do título de doutor honoris causa ao indigenista Egydio. O pedido reconhece sua trajetória dedicada à defesa dos direitos dos povos indígenas, à promoção do diálogo intercultural e às contribuições acadêmicas e práticas para a preservação de saberes tradicionais e territórios. A iniciativa da ADUA, acionada pelos professores César Queirós e Tiago Santos, reforça o compromisso da comunidade universitária com a valorização de quem luta pela justiça socioambiental na Amazônia”.
Grandeza intelectual e moral
O docente César Queirós destaca que a homenagem presta um justo reconhecimento a duas trajetórias que se confundem com a própria história da defesa dos direitos humanos, da educação, da produção de conhecimento e das lutas em favor dos povos indígenas na Amazônia.
“Duas pessoas extraordinárias, imprescindíveis, as quais aprendi a admirar tanto por sua gentileza e generosidade, quanto por sua grandeza intelectual e moral. Egydio Schwade dedicou sua vida à defesa dos povos indígenas e à construção de uma sociedade mais justa, sendo uma referência incontornável para todos aqueles que acreditam na dignidade humana e no compromisso ético com os setores historicamente marginalizados. José Ribamar Bessa Freire é um dos mais importantes intelectuais brasileiros e um dos grandes incentivadores da pesquisa histórica no Amazonas. Seu DNA está incontornavelmente impresso em gerações e mais gerações de historiadoras e historiadores formados em nosso Departamento. Sua atuação como professor e seu permanente compromisso com a diversidade cultural contribuíram decisivamente para renovar os estudos sobre a Amazônia e para ampliar a visibilidade dos povos indígenas. Em tempos marcados por tantos desafios e ameaças à democracia, o reconhecimento conferido pela Ufam a ambos reafirma a importância daqueles que colocaram o conhecimento a serviço da democracia, da justiça social e da defesa da Amazônia”, declarou Queirós.
Perfil dos homenageados
Egydio Schwade é filósofo, padre, professor, indigenista, apicultor e ativista social. Dedica-se ao indigenismo desde 1963. É co-fundador da Operação Anchieta (OPAN), em 1969; do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), em 1972; do Movimento de Apoio à Resistência Waimiri-Atroari, em 1983; da Casa da Cultura do Urubuí, em 1992; e do Comitê Estadual de Direito à Verdade, à Memória e à Justiça do Amazonas, em 2010. É autor do livro A ditadura militar e o genocídio do povo Waimiri-Atroari.
Em 2015, recebeu o título Cidadão do Amazonas pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM); em 2021, o título Doutor Honoris causa pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), em Minas Gerais. Em 2024, foi agraciado com o prêmio Mestres e mestras dos saberes e fazeres culturais nas artes pelo Conselho Estadual de Cultura e a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas; e, em 19 de setembro do mesmo ano, foi aprovada pelo Conselho Universitário a concessão do título Doutor Honoris causa pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Já o professor, historiador, antropólogo, linguista, jornalista e escritor José Ribamar Bessa Freire construiu uma sólida trajetória intelectual dedicada à valorização, resgate e preservação da história, das línguas e da memória dos povos originários do Brasil. Foi professor da Universidade do Amazonas (UA), hoje Ufam, entre 1977 e 1987 e cursou o doutorado em História na École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França, e o doutorado em Letras pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), direcionando seus estudos para as línguas e os usos sociais dos idiomas indígenas no contexto amazônico. Ao longo de décadas de magistério e pesquisa, professor Bessa tornou-se uma das maiores referências do país em indigenismo, foi coordenador por três décadas do Programa de Estudos dos Povos Indígenas (PROINDIO), contribuindo, de forma expressiva, para o desenvolvimento da educação escolar indígena.
No Rio de Janeiro, consolidou sua carreira como professor e orientador na pós-graduação em Memória Social da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e como coordenador do Programa de Estudos dos Povos Indígenas (PROEPI) da Faculdade de Educação da UERJ, focando na formação de professores indígenas e no levantamento de fontes em arquivos históricos.
Além de sua produção na docência e na pesquisa de campo, Bessa Freire é autor de uma vasta e influente bibliografia. Escreveu, organizou e co-organizou vários livros, entre os quais Rio Babel – a história das línguas na Amazônia (2011), Políticas de línguas no novo mundo (2012), Essa Manaus que se vai (2012), Línguas Gerais – Política Linguística e Catequese na América do Sul no Período Colonial (2003), Os Aldeamentos indígenas do Rio de Janeiro (2009), Os índios em Arquivos do Rio de Janeiro (1995), A Amazônia no período colonial (1994) e Cem anos de Imprensa no Amazonas (1990). Por meio de seus livros, palestras e crônicas semanais no blog Taquiprati, segue combatendo o apagamento histórico e lutando pelo respeito à diversidade das culturas indígenas.
